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No essencial, as pessoas questionam-se acerca da natureza do Islão: Não é ele particularmente intolerante? E por isso é que as sociedades suportam tamanhos custos em mortes, destruição e instabilidade social? E não é o Islão particularmente intolerante em relação aos cristãos, como as dezenas de milhar de mortos na Síria, no Iraque, na Nigéria, no Quénia, entre outros países, demonstram e os vexames e violências em relação aos cristãos, em diferentes países do Médio Oriente, confirmam?**

Não se podem olvidar as posições mais radicais para responder a essa actuação, como, por exemplo, as que advogam que se os países muçulmanos não permitem a construção de templos de outras religiões, por que é que as nações de matriz cristã hão-de deixar que nelas os cidadãos de tais países construam as suas mesquitas? A falta de reciprocidade parece ser o argumento, mas subjacente está a ideia de que facilitar a propagação do Islão e dar os seus praticantes tanta visibilidade não é compatível com a «paz social» que se pretende assegurar, considerando essa vertente de terror dos muçulmanos, capazes de se autopropagar no seio dessas comunidades ocidentais protegidas.

Na França, por exemplo, o véu e a burca muçulmanos reavivaram tensões «adormecidas» pois muitos vêem isso como um insulto aos direitos das mulheres numa sociedade livre e democrática, país onde o governo parece impotente para conter a violência em áreas sensíveis que, às vezes, dão origem a acusações graves contra os imigrantes, querendo significar muçulmanos.

É diante desses fenómenos que muitos têm medo, em França e noutros países ocidentais. Medo do poder dos fortes grupos muçulmanos, com grandes apoios financeiros dos países enriquecidos pela exploração do petróleo mais radicais, na islamização das sociedades secularizadas (em aproveitamento do forte desinvestimento na afirmação dos valores cristãos, mais consentâneos com as raízes e tradições culturais autóctones), medo da Sharia (lei islâmica) e costumes muçulmanos arcaicos e intolerantes, medo da perda identidade europeia e cristã (onde é ainda relevante), medo de proselitismo dos grupos muçulmanos radicais.

Uma palavra para esta iniciativa da Letras d’Ouro, editores que coloca à mercê dos cristãos portugueses, sejam católicos romanos, sejam ortodoxos, sejam reformados, protestantes ou evangélicos, um texto simples, prenhe da experiência dum servo de Deus de espírito aberto e alma sedenta de servir, que foi «às entranhas» dum povo muçulmano, respeitosamente, levar a Palavra de esperança que muitos receberam. Não é que não existam outros textos relevantes sobre o Islão e as estratégias de comunicar o Evangelho em ambiente intrinsecamente hostil. Este, porém, tem a superior vantagem de nos dar o testemunho dum homem de acção, que desenvolveu o seu ministério despido de todos os preconceitos da sua época e escreveu antes da «contaminação» geral contra os muçulmanos, ocorrida a partir de 11 de Setembro de 2001. Sem prejuízo da orientação Conciliar para os católicos romanos, das orientações sinodais, convencionais, pastorais ou outras para os reformados, protestantes ou evangélicos, importa cumprir a missão que Jesus confiou aos seus discípulos e, para isso, cada um Partilhe a sua fé com um muçulmano.

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http://expresso.sapo.pt/cultura/2015-05-20-O-Islao-esse-grande-medo

** Da Nota Editorial