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O papa Francisco afirmou nesta segunda-feira (27/04/2015) que é necessário “favorecer o diálogo inter-religioso, principalmente com o Islão”. “É preciso favorecer o encontro entre as culturas, assim como o diálogo entre as religiões, principalmente com o Islã”, disse o líder da Igreja Católica, ao receber os bispos da República do Benin, na África, em visita ad limina, que é um encontro que religiosos de um país têm a cada cinco anos com o Papa no Vaticano. *

A abordagem dos cristãos que seguem a orientação de Roma tende a resolver o dilema entre os que entendem que quaisquer passos no sentido de manter a coexistência pacífica é ingenuidade e os que rejeitam, pura e simplesmente, essa abordagem, colocando-se na posição de rejeição do próprio Islão. «Mas entre ingenuidade e a rejeição não haverá lugar para uma abordagem diferente?», interrogam-se. A resposta é afirmativa: há! Para isso se fala das quatro vias para o diálogo inter-religioso, que, segundo o Papa Bento XVI, é uma necessidade vital: A amizade e a ajuda diária mútua; o trabalho comum para a justiça e a paz; o intercâmbio espiritual através de experiências religiosas comuns; o intercâmbio teológico, estudando as respectivas tradições muitas vezes num quadro de relacionamento institucional.**

‘O Alcorão é um livro de paz’, diz Papa Francisco

Considerando que é preciso estimular uma leitura não violenta dos textos sagrados, como o Alcorão, que contem números versículos que proclamam a paz e a harmonia, e pode também contribuir para o progresso da «consciência universal» (partindo ainda do pressuposto que a maior parte dos muçulmanos no mundo não defende a violência e rejeitam a automarginalização social com receio de «contaminação religiosa», querendo apenas justiça e condições dignas para o exercício do culto muçulmano), a Igreja valoriza e estima os muçulmanos porque adoram o «Deus único, vivo e subsistente, misericordioso e omnipotente, criador do céu e da terra, que falou aos homens.» Mesmo se, no decurso dos séculos, não poucas disputas e hostilidades surgiram entre cristãos e muçulmanos, o «sagrado Concílio exorta todos a esquecer o passado e trabalhar sinceramente para o entendimento mútuo e para proteger e promover em conjunto, por todos os homens, a justiça social, os valores morais, a paz e a liberdade.» (Citado de um texto do Concílio Vaticano II).**

Não é pela ostracizarão e rejeição dos muçulmanos, enquanto praticantes do Islão, que a Igreja será luz do mundo e sal da terra. É pela afirmação de que também os muçulmanos são povo,
são gente que precisa de alcançar uma posição espiritual elevada, que o Islão não garante, desde logo a certeza do perdão dos pecados, incluindo o original (que o Islão completamente rejeita), através do sacrifício salvífico de Jesus Cristo, o Filho de Deus, para ter a certeza da vida eterna (a dúvida sobre o destino eterno do muçulmano é permanente e está dependente da boa-vontade de Alá no momento de pesar as boas obras de cada um…).  Isto não se consegue de «mãos dadas com o muçulmano» para que cada um faça a propaganda do seu sistema religioso em paz: os cristão e os muçulmanos, como se fossem agentes do mesmo propósito divino, apenas separados por razões culturais e de ritual religioso.**

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*http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2015-04-27/papa-francisco-pede-que-bispos-dialoguem-com-o-isla.html

** Excertos da Nota Editorial.